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“Tirar alguém da cadeia é fácil, tirar do crime é muito difícil” - (parte VI) - ZeroHora

 

O senhor se sente seguro?

 

Não me sinto inseguro. A minha família eu não a exponho. É uma forma de proteção.

 

Já sofreu ameaças? Precisou ter segurança?

 

Nunca.

 

Este ano, desde a morte do traficante Xandi, a população viu uma escalada de episódios de violência. Xandi ganhou homenagem, um rival dele foi morto na Pasc e houve execuções à luz do dia. O crime está mais ousado?

 

A criminalidade está mais aguda. A ostensividade que você tinha antes do aparato policial, essa que você não vê mais, está cedendo espaço para a ostensividade do crime. Isso é um passo à frente do que se vê dentro das prisões. Há tempo que o Estado vem entregando espaços dentro das prisões e eles são ocupados pelas facções. O Estado recua e o crime avança. Para recuperar isso talvez tenha de voltar à origem, retomar os espaços dentro das prisões.

 

É possível retomar esses espaços?

 

Em uma prisão nova, sim, não se deve deixar as facções se criarem. Numa prisão velha é difícil.

 

Qual é o pior tipo de criminoso?

 

Existem algumas pessoas – poucas – que te dão sensação de desesperança. Não quero dar nomes, mas tem uns que, em uma conversa, só se vê crime no sujeito, não se acha algo bom para desenvolver. Esse é alguém ruim de lidar, é o pior preso. Não se consegue achar algo bom para traçar um plano. Alguns somente adquirem essa conscientização em uma fase mais adiantada da vida, depois dos 50, 60 anos.

 

O senhor acompanha o sistema prisional de Porto Alegre desde 2008. Sucessivos governos fizeram promessas. Houve melhora?

 

Não houve. E nós não trabalhamos com dados objetivos para aferir melhora.

 

Qual dado temos? Palpável? Onde teve melhora?

 

Naquilo que se fez acordo com preso, como não matar dentro da cadeia, por exemplo. Então, diminuíram homicídios dentro da prisão. Só teve melhora naquilo em que se fez acordo com os presos. Esses dias um preso disse:

“Um preso empregado é um revólver a menos na rua”. Esse é um dado objetivo. Quando falo em preso empregado, não é bico, é o cidadão empregado com carteira assinada, com vale-refeição, previdência social, com plano de saúde para a família.


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