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Reservem as praias junto ao Parque de Itapeva para aves, lobos-marinhos e pessoas harmonizadas com a natureza! (28/10/2016)


      Aves e lobos-marinhos que utilizam as praias do Litoral Norte do Rio Grande do Sul não estão convivendo bem com carros, motos e cachorros que disputam o espaço. As conclusões vieram do monitoramento mensal de 35 km de praias entre os municípios de Arroio do Sal (RS) e Passo de Torres (SC), divididos em dez trechos. A situação foi analisada durante 18 meses (de outubro de 2014 a março de 2016), incluindo duas temporadas de veraneio. A cada saída eram identificadas e contadas as espécies de aves costeiras e registrados os bandos, assim como os lobos-marinhos encontrados vivos ou mortos. Também foram contadas as pessoas, os veículos motorizados, as redes de pescas, os cachorros e registradas as interações de todos estes com a fauna silvestre monitorada, explicou a bióloga do projeto Joyce Baptista. 


    Com apoio da Fundação O Boticário e parceria com o Centro de Ecologia da UFRGS, o projeto tratou da conservação de espécies na região do Parque Estadual de Itapeva (PEVA) e do REVIS da Ilha dos Lobos. A iniciativa buscou caracterizar a importância da praia junto ao Parque e nas proximidades do Refúgio, monitorando como indicadores algumas aves costeiras e pinípedes apontados nos Planos de Ação Nacionais Grandes Cetáceos e Pinípedes(2010) e Aves Limícolas Migratórias (2012) e na última Lista de Espécies ameaçadas do RS (2014). Obteve também informações sobre seus habitat de preferência e sobre a intensidade e a abrangência das ameaças que estão sujeitos, devido à grande presença de turismo nessas áreas, principalmente no verão.

    A Praia Grande, em frente à Ilha dos Lobos, é um local intensamente ocupado por veranistas. Quase 10.000 pessoas foram contadas numa manhã de sexta-feira de verão e isso impede que os animais busquem este espaço. Mas tudo bem, seria esse um local prioritário para as pessoas. A Praia de Fora e a Praia de Itapeva sofrem menos pressão pela quantidade de humanos, sendo a presença de carros, motos e cachorros o principal problema. Por estarem localizadas em frente a uma Unidade de Conservação da natureza e na Zona de Amortecimento do Parque de Itapeva, as perturbações, inclusive com atropelamentos de aves adultas e filhotes e a predação dos ovos por cães, torna inviável que a situação continue desse jeito.


    O destaque mais importante a respeito dos estudos e seus resultados é que eles ajudam para que as discussões sobre o uso da praia deixem de ser feitas na base do "achismo". Mostram claramente os impactos das atividades humanas sobre as espécies da fauna silvestre que utilizam esse ambiente para repouso, alimentação e reprodução. A partir desse entendimento, não há como eximir as pessoas e os gestores públicos da responsabilidade pelos impactos que vêm ocorrendo e pela busca de soluções.  

    Os estudos realizados pelo Instituto Curicaca, com apoio da Fundação O Boticário e em parceria com o Centro de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul atendem a todos os requisitos de credibilidade para com seus resultados. Somos uma instituição comprometida com a biodiversidade e que tem propostas concretas para solucionar os problemas, sempre buscando compor com as necessidades das pessoas que vivem no local. A equipe técnica envolvida é altamente qualificada e, agregando a parceria da UFRGS, tem o devido cuidado científico com o trabalho. O cruzamento do esforço científico com a realidade dada pela legislação ambiental e os diferentes interesses para com o território permitem recomendações adaptativas.    


    Por isso, uma das recomendações é de uma redução gradual do uso da praia por veículos motorizados até a total exclusão de carros e motos em três anos. Isso não significa, de forma alguma, excluir as pessoas. Os estudos também identificaram um limite aceitável de pessoas a partir do qual as aves passam a evitar a praia. Quem quiser, poderá estacionar nos extremos, entrar a pé ou de bicicleta e procurar um lugar tranquilo para desfrutar da praia e do mar. Imaginem que oportunidade! Quem gosta de movimento, tem a Praia Grande, a Praia da Cal. Quem quer tranquilidade, tem as praias em frente ao Parque de Itapeva. Ora é possível estar numa, ora noutra, diversificando. Existir na região um lugar assim é excelente para a economia do turismo gerando serviços e empregos que não estão noutras praias, carregando desse modo,  uma perspectiva de sustentabilidade e atendendo à necessidade de saúde física e mental, geralmente associada à natureza, que está desaparecendo do nosso litoral, mas é procurada por muitos.


   Outra recomendação, feita ao município de Torres, é de que busque com mais intensidade o que lhe diferencia das demais cidades e balneários litorâneos, sendo mais criativo e mostrando a natureza como seu principal atrativo.. Mesmo aqueles que hoje defendem o acesso irrestrito à Praia de Fora, quando se sensibilizarem, verão que esse novo conceito é aprazível, agradável, melhor para todos – seres humanos e animais da nossa biodiversidade. Estacionar o carro e caminhar cem metros para encontrar um bom lugar, é uma atitude simples, mas que proporciona uma diferença e melhora enorme. Com esse pequeno esforço, os veranistas deixarão de atropelar as aves e seus filhotes, de destruir ninhos, de impedir os bandos de aves migratórias de pousar para repousar e se alimentar quando chegam de outro continente. Não passarão com as rodas do carro ou da moto ao lado da cabeça de um lobo-marinho que se recupera de um ferimento, como vimos acontecer. Tudo será mais equilibrado! 


    Ministério Público Federal usará resultados dos estudos para sustentar a necessidade de controle de veículos nas praias do Litoral Norte e o Instituto Curicaca está à disposição para ajudar no planejamento da redução gradativa de veículos na praia, da sinalização para o cuidado, como já propusemos ao Ministério Público Federal, envolvido no tema. Em reunião realizada no dia 18 de outubro com o procurador de justiça Dr. Felipe da Silva Muller, a qual teve participação do diretor de projetos da Fundação O Boticário, Sr. Emerso Oliveira, a situação foi fartamente esclarecida pelo coordenador técnico da ONG, Sr. Alexandre Krob. Fazendo a entrega do relatório técnico, ficou claro que a proposta não é de uma proibição imediata, mas de metas de exclusão anual de partes da praia para veículos motorizados e controle da circulação de cães. Áreas mais sensíveis, como a chegada de riachos e sangradouros na praia e as proximidades da Pedra de Itapeva precisam ser priorizadas ainda para o verão 2016/17. Segundo o promotor, a prefeitura deverá apresentar em juízo um plano de como esse controle será realizado. Tanto para o Ministério, como para o Conselho Municipal de Meio Ambiente de Torres, a ONG colocou-se a disposição para fazer sugestões técnicas ou mesmo avaliar o que for proposto.






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