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Mata Atlântica

Na época em que os portugueses chegaram ao Brasil, a Mata Atlântica se estendia por aproximadamente 1 milhão e 300 mil quilômetros quadrados, o equivalente a mais de três vezes o tamanho da França ou duas vezes o da Alemanha. Hoje, aquela imagem paradisíaca de um país com 15% do território ocupado pelo bioma mais rico do planeta deu lugar a meros 91 mil quilômetros quadrados, distribuídos em áreas fragmentadas.
Apesar da destruição de 93% da cobertura original da Mata no país, ela ainda hoje apresenta uma extraordinária biodiversidade, com diferentes relevos e paisagens, árvores imponentes e uma enorme variedade de animais, muitos deles ameaçados de extinção. A multiplicidade cultural também é uma característica forte do bioma que vai do Rio Grande do Sul ao Piauí, estando presente em um total de 17 dos 26 estados brasileiros em faixas litorâneas, florestas de baixada, matas interioranas e campos de altitude.


Se a devastação é fruto da ação humana, há um significativo contingente populacional que depende do que sobrou, obtendo daí o seu abastecimento de água, a regulação do clima, solos férteis e produtos medicinais, para citar alguns dos benefícios provenientes do bioma. São 110 milhões de pessoas – ou 64% da população brasileira – que vivem nas regiões onde estão presentes a Mata Atlântica e suas mais de 22 mil espécies. É possível encontrar aí diversos grupos culturais, cujo modo de vida é intimamente ligado ao meio ambiente: são jangadeiros, caipiras, pescadores artesanais, caiçaras, ribeirinhos, quilombolas e índios, entre outros.

No Rio Grande do Sul – Dados obtidos pela SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) no período de 2000 a 2005 indicam que são 976.959 hectares de florestas da Mata Atlântica no Estado, o que corresponde a praticamente 905 mil campos de futebol. Isso representa pouco mais de 7% dos 13.090.291 hectares, ou 12 milhões de campos de futebol, que existiam originalmente. São partes da floresta ombrófila densa (floresta atlântica), floresta ombrófila mista (com araucárias), florestas estacionais decidual e semi-decidual (que perdem as folhas) e matas de restinga (paludosas e sobre dunas). Além das florestas, a Mata Atlântica do Rio Grande do Sul é formada pelos campos de altitude e seus banhados, pelas demais vegetações de restinga e áreas úmidas associadas.

As espécies de animais e plantas que ocupam estas áreas têm sofrido grande pressão pela redução de seus habitats e pela fragmentação do ambiente. A onça-pintada, por exemplo, só pode ser encontrada no Parque Estadual do Turvo, e o queixada, uma espécie de porco-do-mato nativa, raramente é visto nos vales dos rios Pelotas e Uruguai. A águia-real, também conhecida como harpia, está praticamente extinta no Estado, e quase não se ouve mais falar do gavião-de-penacho nas matas do Planalto. Em poucos lugares da encosta da serra geral ainda é possível encontrar palmiteiros, muito ameaçados pelo extrativismo e pelo comércio irregular do palmito. A pressão sobre a araucária foi tão grande nas últimas quatro décadas que ela está ameaçada de extinção, devido à baixa variabilidade genética que resultou dessa reiterada extração. Há ainda espécies endêmicas, como o sapinho-de-barriga-vermelha, nos banhados do litoral norte; o tuco-tuco, nas dunas da planície costeiras e a orquídea-vermelha da matinha-nebular, na borda do Planalto das Araucárias. Aí está o porquê de a Mata Atlântica precisar de tanta proteção, parte dela estando tombada no Rio Grande do Sul.

Atualmente, existem 63 Unidades de Conservação da natureza (UC) no bioma da Mata Atlântica no Estado: nove federais, 20 estaduais, cerca de 18 municipais e 16 privadas, entre Parques, Reservas e Áreas de Preservação, além das Unidades que estão em processo de criação ou avaliação. Tão importantes quanto as UC são as iniciativas de conservação e uso sustentável dos recursos da Mata Atlântica fora das mesmas, por meio de projetos e parcerias que acontecem junto a comunidades locais, gestores municipais, escolas, agricultores, pescadores, indígenas e quilombolas, buscando construir meios para a convivência harmoniosa entre todos os seres que habitam a Mata, o ser humano inclusive. A Curicaca vem trabalhando nessa estratégia há mais de 10 anos. Conheça as nossas ações.


Glossário
     • Espécies endêmicas – Cerca de metade das 20.000 espécies vegetais e 700 das 1.711 espécies de vertebrados que vivem na Mata Atlântica são endêmicos, ou seja, existem apenas neste bioma. No caso dos primatas, a proporção é ainda mais impressionante: dois terços deles são endêmicos. Por isso, conservar a Mata é evitar a extinção de seres vivos que não são encontrados em nenhum outro lugar do mundo.
     • Remanescentes florestais – São as porções da Mata que existem hoje. O termo “remanescentes” é usado tanto para as vegetações primárias, que resistiram à ação humana e não foram alteradas, quanto para as capoeiras, ou seja, matas que estão sendo recuperadas. Vale lembrar que a diferença entre esses dois tipos de vegetação é forte: a primeira oferece uma visão de florestas imponentes, equilibradas, possuindo árvores que estão no local há séculos; na última, encontram-se arbustos e arvoretas com um porte de poucos metros.
      • Domínio original – são os 1 milhão e 300 mil quilômetros quadrados do país que a Mata Atlântica ocupava originalmente. Boa parte desta área foi transformada em campos para a agricultura e a pecuária e não tem como ser recuperada.
     • Mata Atlântica stricto sensu – É a mata atlântica em sentido estrito, ou seja, a floresta ombrófila densa ou floresta atlântica, que se localiza ao longo da costa leste brasileira (voltada para o Oceano Atlântico).
     • Poligonal da Mata Atlântica – é uma área muito especial da Mata Atlântica do Rio Grande do Sul, localizada na porção nordeste do Estado, tendo como limites aproximados ao norte o Estado de Santa Catarina, ao sul Osório, a oeste a RS-020 e a leste a linha de praia (Decreto Estadual 36.636/96), na qual a vegetação nativa da Mata Atlântica está imune ao corte (Art. 38 da Lei Estadual 9.519/92).


Fontes consultadas



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