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O que são os Corredores Ecológicos

Parques, Reservas, Refúgios, Estações Ecológicas. Essas e outras Unidades de Conservação da Natureza (UC) contribuem, cada uma a seu modo, para a sobrevivência de animais, plantas, fungos, microorganismos, pessoas – em outras palavras, os seres que dependem de um meio ambiente preservado. Apesar de fundamental para a conservação da biodiversidade, a proteção de um pedaço de ecossistema natural isolado não provê aos seres vivos tudo aquilo de que eles necessitam, como grandes áreas para se alimentar, encontrar um parceiro para se reproduzir ou buscar uma nova moradia.

É aí que entram os Corredores Ecológicos, caminhos que integram essas partes que restam do ambiente natural, dentro ou fora de Unidades de Conservação, propiciando aos animais a circulação, às flores a polinização, às sementes a dispersão e à água e aos nutrientes o ciclo completo. Com o atual estado de degradação e fragmentação da natureza, a distância entre um lugar e outro fica cada vez mais acentuada, dificultando a locomoção dos animais. As barreiras que se estabelecem pela forma como se ocupa o ambiente e a agressividade de algumas pessoas para com os seres da natureza acabam por provocar a morte de muitos insetos, pássaros e mamíferos – para citar alguns exemplos – e das plantas que dependem do deslocamento desses e de outros animais para se disseminarem, comprometendo a diversidade biológica.

A criação e a implantação de um corredor ecológico é, assim, um trabalho pela manutenção dos seres vivos e da continuidade dos ecossistemas nos quais eles se inserem. Diferentemente dos Parques e Reservas, sua função principal não é a proteção direta da biodiversidade, mas a criação de oportunidades para uma relação harmoniosa das pessoas com os seres da natureza e o ambiente que ocupam.

Ao se imaginar um Corredor Ecológico, é provável que o que venha à cabeça seja uma imagem de faixas contínuas de florestas ligando, por exemplo, duas Unidades de Conservação. Essa seria a situação ideal, porém de difícil alcance, principalmente na Mata Atlântica. Por isso, há Corredores Ecológicos que incluem os lugares onde as pessoas moram e produzem, se isso é feito sem ameaçar os animais. A agricultura ecológica ilustra bem a proposta, pois respeita a natureza, ao contrário daquela que utiliza agrotóxico, e por isso favorece os corredores. Da mesma forma as agroflorestas, se comparadas às monoculturas de bananas.

Quando, ao invés de uma paisagem monótona, dominada por monoculturas, se tem um conjunto de diferentes formas de uso do solo, formando uma colcha de retalhos – o mosaico de habitats – que inclui ambientes preservados, há uma boa oportunidade para o fluxo das espécies. Aí, os fragmentos de ecossistemas preservados e próximos entre si, mas não conectados fisicamente, são os chamados trampolins ecológicos. Eles permitem que alguns animais "pulem", dependendo da distância, de fragmento em fragmento, possibilitando, assim, a sua a circulação.

Existem Corredores Ecológicos que são vastos, e abrangem diversas áreas ambientalmente importantes. É o caso do Corredor Central da Mata Atlântica, nos Estados da Bahia e Espírito Santo. Há também os microcorredores, que são pequenos – os desenhados pela Curicaca e seus parceiros, por exemplo, têm 300 metros de largura – e formam uma malha de caminhos preferenciais para o fluxo das espécies. Essa opção deve-se à busca de uma maior eficácia na sua implantação.

A efetividade desses caminhos, porém, depende de algumas iniciativas e do interesse dos agricultores e suas famílias, bem como do poder público e das instituições da sociedade, na sua implantação.

Assim, os agricultores podem planejar as suas propriedades com decisões que favoreçam o fluxo das espécies. O respeito às Áreas de Preservação Permanente (APP) – matas ciliares, encostas e topos de morro, banhados, dunas móveis e vegetadas – é muito importante, pois os corredores geralmente passam por elas. Outra contribuição é na localização da Reserva Legal (RL), que pode ser definida de modo a ficar em um local da propriedade que contribua para os corredores. Esses compromissos estão previstos na legislação ambiental brasileira (Código Florestal), mas não se tratam apenas de obrigação: eles trazem uma série de benefícios em qualidade de vida para as famílias de agricultores e para a sociedade em geral.

Também o poder público tem um papel fundamental em relação aos Corredores. Seu compromisso é orientar e dar apoio para que, no meio rural e no urbano, os moradores dos Corredores realizem ações em prol da implantação e do funcionamento correto dos mesmos. Se os sistemas agroflorestais são uma alternativa, espera-se do poder público que motive e apóie tecnicamente os agricultores na mudança do método de produção. Nas áreas urbanas, os planos municipais podem orientar para uma ocupação territorial mais harmônica, com áreas residenciais de terrenos maiores, espaços verdes, mata ciliar preservada, entre outros.

A atuação das instituições da sociedade pode se dar com educação ambiental, organização social, acompanhamento das ações públicas e inúmeras outras atividades. As Universidades também têm a contribuir, ajudando na pesquisa, na difusão do conhecimento sobre a biodiversidade e no monitoramento dos Corredores.




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