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Programa de conservação e uso dos butiazais na região de Itapeva, RS

Um abrangente conjunto de estratégias vem sendo implantadas/projetadas para promover a proteção dos remanescentes ao longo do gradiente que se estende da costa marinha até o planalto das araucárias no extremo nordeste do Rio Grande do Sul.

O projeto “Microcorredores Ecológicos de Itapeva”, coordenado pelo Instituto Curicaca e com colaboração da UFRGS, FEPAM e prefeituras locais, busca a proteção dos remanescentes das formações características dessa região, a manutenção/recuperação da conectividade entre estas áreas e o reconhecimento e apropriação dos benefícios pelas comunidades locais (CURICACA, 2006).

Neste contexto, os butiazais, formações arbustivas nas quais o butiá (Butia catarinenses) é um elemento fisionomicamente notável, são estratégicos para a manutenção da conectividade das formações costeiras com as mais interiores. Embora com uma distribuição mais ampla, a variedade anã dessa espécie concentra sua ocorrência entre Osório, RS, e Laguna, SC. Constituem uma formação relictual de climas pretéritos mais secos, da transição entre formações da Mata Atlântica e pampeanas, localizada sobre depósitos sedimentares holocênicos e pleistocênicos próximos ao cordão lagunar.

Moradores do entorno do Parque de Itapeva lembram da importância dos butiazais na paisagem regional e atestam seu quase desaparecimento. Hoje são pequenos e esparsos remanescentes localizados em áreas planas, de grande interesse agropecuário e imobiliário, cuja exclusão ocorre por expansão urbana, loteamentos, sítios de lazer e fumicultura, enquanto a pecuária impede sua regeneração. Pouco se sabe sobre o impacto do extrativismo das folhas. A fiscalização dos órgãos ambientais funciona apenas sob denúncia, o que fragiliza a sua proteção.

Um insignificante remanescente de 1,76 ha, já bastante estudado pela UFRGS, está protegido no Parque Estadual de Itapeva. Por estas razões listadas, o butiá foi incluído na lista de espécies vegetais ameaçadas de extinção no RS (SEMA, 2002). Observações locais, no entanto, sugerem que a proteção conferida ao butiá não necessariamente garantirá a persistência dos butiazais. É muito comum a manutenção dos indivíduos da espécie e a eliminação da vegetação circundante.

Por outro lado, a região onde se concentram os butiazais foi reconhecida como área de extrema prioridade para conservação pelo PROBIO (MMA, 2006) e incluída como zona núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (CERBMA, 2008).

O projeto Saberes e Fazeres da Mata Atlântica (BOHRER, 2007) identificou cerca de 20 famílias portadoras de etnoconhecimento sobre a espécie e está fazendo gestão junto à SEMA-RS para intensificar os esforços em conservação.

Ainda não há um documento técnico de referência sobre as condições do ecossistema na região, nem um planejamento integrado de ações de conservação que consolide uma estratégia. Os esforços até aqui empreendidos, de forma ainda insipiente, carecem desse passo consistente, mais conclusivo e eficaz na reversão de sua degradação.



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